Juca, sua tosca teimosa, pare de achar que insufilm é coisa de playba e deixe seu carro pretinho pretinho JÁ!
Adoraria escrever um texto engraçadinho sobre ontem à noite. Mas não vou conseguir.
Fui assaltada saindo do escritório, 8 horas da noite, num farol.
Tá, pode parecer a coisa mais banal do mundo. Eu, se lesse isso até ontem diria a mesma coisa. Mas não foi.
O vidro do meu carro foi estilhaçado comigo dentro, por 2 ou 3 socos de um moleque crescido e bem nutrido enquanto eu esperava o farol abrir.
Minha bolsa foi embora junto com o desgraçado.
Minha bolsa, a única chave da minha casa, todos os meus documentos e todos os meus amigos, cujos telefones estavam gravados no meu celular (e em nenhum outro lugar).
Sem medo de errar, posso dizer que foi uma das piores sensações pelas quais já passei até hoje.
Foi tudo muito rápido, não deve ter durado mais que 2 minutos.
Mas minhas pernas só pararam de tremer muitas horas depois. E só de lembrar o barulho dos socos no vidro e o barulho do vidro se estilhaçando em cima de mim eu começo a chorar feito criança.
Na esquina seguinte tinha um posto de gasolina, porto aparentemente seguro pra onde eu corri depois de me sentir a pessoa mais impotente do Planeta.
Tive uma crise de choro no meio dos frentistas, que me deram água com açúcar e tentaram me consolar dizendo que só ontem eu era mais ou menos a 10ª vítima de assaltos daquele tipo que paravam ali pra pedir ajuda.
Pior, pior mesmo, era não ter pra quem pedir ajuda.
Sorry, queridas amigas guerreiras. Eu sei que vocês vão ficar ofendidíssimas com essa declaração. Sei que você iriam até no Iraque me salvar caso eu precisasse.
Mas eu queria me sentir protegida, sabe? Queria que um Super Homem que chegasse voando pra me salvar daquele inferno e me desse um abraço apertado.
Sem melhores opções, liguei pro meu pai. Gradecíssima e homérica cagada.
Foi a primeira pessoa com quem falei, uns 5 minutos depois do assalto. Se até agora eu estou descontrolada, imaginem vocês meu estado de nervos quando falei com meu pobre pai.
Quase matei ele e minha mãe enfartados. Eu, descontrolada de um lado da linha. Eles, assustadíssimos do outro lado da linha, sem poder fazer absolutamente nada pra me ajudar, considerando que de um lado pro outro da linha tinham uns 300km de distância.
Que merda. Fiquei péssima depois que me dei conta de que aquela não tinha sido, definitivamente, uma boa opção.
Mas confesso que foi a única que me veio à mente. Sem celular, minha comunicação com o mundo fica limitada aos telefones que sei de cor. Nervosa do jeito que eu tava, só lembrei o da Moniquinha (o telefone tava na caixa postal) e da minha casa em S. Carlos, onde moram meus dois velhinhos favoritos, meu pai e minha mãe, que não têm mais saúde pra esse tipo de susto.
Me senti um lixo depois que a adrenalina abaixou. Não devia ter ligado de jeito nenhum pra eles naquelas circusntâncias, principalmente sabendo que eles não iam poder fazer nada além de ficarem tão ou mais nervosos que eu.
Não tenho vocação pra mulherzisse. Apesar de ter fobia por baratas, não tenho nenhuma outra demonstração clássica de mulherzisse. Conserto chuveiros, troco lâmpadas, sei programar um vídeo. Me viro bem, eu acho. Mas ontem eu não segurei a onda. Me senti o ser humano mais frágil do mundo. E, a pior sensação, me senti sem saber pra onde correr.
Acho que isso que mais me pirou. A sensação de solidão. De não ter muito pra quem pedir ajuda (sorry girls, sorry. Não esperneiem que eu sei muito bem que vcs estão entendendo direitinho o que eu quero dizer). Merda de vida. Tem um pouco a ver com esse post
aqui, de me questionar até onde isso tudo vale a pena. Mas, enfim, essa é uma outra discussão e tá tudo bagunçado demais na minha cabeça agora pra eu conseguir escrever sobre o assunto.
Enfim, passados os momentos delegacia, B.O., perícia e milhões de telefonemas pro seguro do carro, pros bancos, pra operadora do celular e sei lá eu mais pra quem, tenho mesmo é que dar graças a Deus por tudo ter ficado bem. Sim, tudo podia ser pior. Infelizmente, é com isso que temos que nos conformar. Não tá bom, mas podia estar pior. C'est la vie.
Pra encerrar esse mega “thanks for sharing”, deixo aqui um apelo.
Se você é meu amigo e pretende que eu te ligue qualquer dia desses na vida, mesmo que seja bêbada numa madrugada qualquer só pra dizer que eu te amo, usa aquela caixinha ali do lado pra me mandar seus telefones de novo.
O número do meu celular não deve mudar. Mas o aparelho novo só chega daqui uns 10, 15 dias. Até lá, estou fora do ar.
É isso.
No mais, é torcer pra essa droga de ano acabar logo.
E cadê os super-heróis deste Tipos, hein???